90 anos de Teatro Rivoli comemorados em grande. E grátis 90 anos de Teatro Rivoli comemorados em grande. E grátis

90 anos de Teatro Rivoli comemorados em grande. E grátis

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Indissociável da vida cultural portuense, e imortalizado na música de Rui Veloso, o Rivoli celebra 90 anos com uma programação eclética e aberta à cidade.


Publicado em 20-Jan-2022

A 20 de janeiro de 1932 o Porto ganhava uma nova morada que iria agitar as hostes culturais da cidade. Foi precisamente há 90 anos, neste dia, que nascia o Rivoli e, desde então, “a longa vida do Rivoli é indissociável da história do Porto, e a história da nossa cidade foi e tem vindo a ser intrinsecamente moldada pela vida deste teatro”. As palavras são do presidente da autarquia portuense, tendo Rui Moreira proferido o discurso no arranque oficial das comemorações − marcadas ainda pela simbologia do número 9: 90 anos, 9 projetos, 90 artistas, 9 áreas de performance distintas.

Tiago Guedes, o diretor do Teatro Municipal do Porto aproveitou ainda a ocasião para informar que a programação será feita apenas com artistas da cidade: “É uma ode aos artistas do Porto” disse, sendo que podia ter igualmente acrescentado “e à cidade”, pois a programação não se restringe aos palcos do Rivoli, mas espalha-se ainda ao “irmão” Campo Alegre (igualmente parte do Teatro Municipal), ao Palácio do Bolhão, ao Coliseu do Porto, Maus Hábitos e Passos Manuel.

A programação do 90º aniversário prossegue assim até dia 23, com uma garantia: todos os espetáculos são gratuitos. Assim, pelo menos, já não precisa de empenhar o anel de rubi para assistir à nova encenação da companhia de dança Instável, que entre os dias 21 e 23 apresenta a coreografia Lowlands, assinada por Hélder Seabra. Uma peça para oito intérpretes baseada na teoria de Freud, de que a mente humana é um pouco como um icebergue, em que a maior parte está debaixo de água. Aqui tudo corre fundo. Sempre às 21h30 no Grande Auditório do Rivoli (e online no site do Teatro Municipal do Porto).

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Dança, teatro, circo contemporâneo, literatura, instalação, vídeo ou música fazem parte deste programam no qual se destaca também Poromechanics, uma coleção de videorretratos de coreógrafos realizada por Catarina Miranda. A instalação pode ser vista no dia 21 às 19h30 no Maus Hábitos, enquanto do outro lado da rua o cinema Passos Manuel apresenta PAR(S), três obras audiovisuais, de três duplas de artistas: Cláudia Varejão & Joana Castro, Pedro Neves Marques & Teresa Coutinho, e Sofia Arriscado & Costanza Givone.

Já em Finissage, a ideia é explorar os comportamentos habituais num espaço museológico que, neste caso muito concreto, se trata do Museu de Arte Contemporânea em Serralves. Uma nova performance teatral da dupla Guilherme de Sousa & Pedro Azevedo, com estreia já hoje, dia 20, às 19h30 no Teatro Campo Alegre. Repete dia 21 à mesma hora.

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Para um público mais familiar, temos também duas estreias: uma de circo contemporâneo, Dual Sim, criada pela Erva Daninha, e outra multidisciplinar com as irmãs Inês e Teia Campos. A Erva Daninha é uma companhia que cruza técnicas tradicionais de circo com situações, ações e objetos do quotidiano e esta coregrafia – que põe dois malabaristas num desafio de partilha constante − não é diferente. Dual Sim sobe ao palco do Palácio do Bolhão todos os dias, de 20 a 23, em diferentes horários, e Castor & Pollux no Café-Teatro do Campo Alegre. Nos mesmos dias e diferentes horários.

Hoje ainda, às 22h00, o Coliseu do Porto Ageas acolhe uma noite de poesia que começa com um verso de Eugénio de Andrade e continua por mais oito poetas indissoluvelmente ligados à cidade. Nomes como Sophia de Mello Breyner, Manuel António Pina, Ana Luísa Amaral, Ana Paula Inácio ou Luís Ferreira. Declamados por igual número de diseurs acompanhados pela música dos Miramar (Peixe + Frankie Chavez), Yosune e Rui David.

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Sexta e sábado, 21 e 22, a partir das 23h00, o dub, o tecno e o trance descem ao subpalco do Rivoli com os HHY & The Kampala Unit. Fundados por Jonathan Uliel Saldanha (eletrónica), e com a ugandesa Florence Lugemwa no trompete, e o congolês Sekelembele na percussão, os HHY oferecem uma sonoridade cativante e excecionalmente rítmica. Difícil de resistir, sendo ou não portuense.  

Por C-Studio / Cofina Media