Quanto precisa de ganhar para comprar casa em Lisboa ou no Porto? Quanto precisa de ganhar para comprar casa em Lisboa ou no Porto?

Quanto precisa de ganhar para comprar casa em Lisboa ou no Porto?

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O preço elevado das casas é uma das maiores preocupações dos portugueses, mas sabe realmente quanto precisa de ganhar, agora, para poder comprar casa?


Publicado em 12-Set-2023

Sem surpresas, é no distrito de Lisboa que é preciso ganhar mais para poder comprar uma casa. Na capital, é necessário um salário mensal bruto de 6.123 euros para adquirir uma casa de 100 metros quadrados, segundo um estudo da HelloSafe, plataforma online que calculou a hipótese de um crédito habitação para um imóvel com esta área. Bastante superior ao valor necessário para comprar casa no Porto, onde são necessários 3.477 euros, sendo que a segunda cidade portuguesa ocupa apenas a quarta posição neste ranking, no qual é suplantada pela Madeira, com 3.573 euros, e por Faro, que fecha o pódio com 3.495 euros.

Em qualquer dos casos são valores elevados para um país onde, no ano passado, mais de metade da população ganhou menos de 1.000 euros mensais, segundo dados do Ministério do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social e onde o salário médio, bruto, não passou dos 1.411 euros. Ou seja, menos de metade do valor necessário para comprar casa em qualquer um dos distritos no top 10 nacional – e isto é importante se pensarmos que nem no caso das famílias, com dois salários somados, as contas batem certo.

Quanto precisa de ganhar para comprar casa em Lisboa ou no Porto? | Unibanco

Não será por isso de estranhar que o acesso à habitação seja atualmente uma das grandes preocupações nacionais, seja pelo preço elevado das casas ou do valor do arrendamento, pelas taxas de juro elevadas, pela dificuldade no acesso ao crédito ou, evidentemente, pelos baixos salários da maioria da população. A verdade é que está cada vez mais difícil conseguir casa a preços suportáveis, e já não se trata apenas das principais cidades, como se percebe também pelos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), que apontam para subidas em quase todos os concelhos nacionais na casa dos 10%. Segundo o INE, os preços medianos das casas no continente ficaram este ano, e pela primeira vez, acima dos 1.500 euros por metro quadrado, chegando mesmo aos 1.740 euros no caso das habitações novas.

Nos casos específicos dos concelhos de Lisboa e Porto, o valor mediano das vendas no 1º trimestre de 2023 foi de 3.965 e 2.609 euros o metro quadrado, respetivamente. Ou seja, as tais casas de 100 m2 custarão, em média, 396 mil e 500 euros em Lisboa, e 260 mil e 900 euros no Porto.

De notar que o estudo tem por base um empréstimo a 25 anos, uma taxa de esforço de um terço e mais uma entrada pessoal de 10% do valor do imóvel, o mínimo atualmente exigido pelos bancos e, de facto, para uma casa de 400 mil euros e um empréstimo com esse prazo, as melhores prestações simuladas rondam os 2000 euros, o que tendo em conta a taxa de esforço de um terço nos empurram para valores mensais a rondar os 6000.

Quanto precisa de ganhar para comprar casa em Lisboa ou no Porto? | Unibanco

Nem todos os distritos obrigam ao mesmo esforço. Como se compreende existem diferenças profundas, e nos casos de Guarda (771 euros), Portalegre (816 euros) e Castelo Branco (879 euros), os valores mensais são substancialmente menores. A mesma plataforma estima ainda que, em termos médios nacionais, o salário mínimo (bruto) necessário para comprar os imóveis de 100 metros quadrados será de 3.147 euros.

Se compararmos com Espanha, para não ir muito longe, um estudo semelhante fala num salário de 3.200 euros (para conseguir empréstimo para a tal casa de 100 m2), mas neste país a média salarial é de 1.822 euros. Longe do ideal, é certo, mas ainda assim um panorama mais animador.

Quanto precisa de ganhar para comprar casa em Lisboa ou no Porto? | Unibanco

A discrepância entre a realidade socioeconómica do nosso país e os valores das casas acaba por fazer com que o sonho de comprar casa se transforme numa miragem para a esmagadora maioria da população. Resta, assim, esperar que as medidas de incentivo ao arrendamento funcionem − estas e as futuras que certamente chegarão −, que o preço das casas baixe ou que os salários subam.

Por C-Studio / Cofina Media

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