Vinhos de férias em Portugal Vinhos de férias em Portugal

Vinhos de férias em Portugal

Vinhos de férias em Portugal

Numa viagem cá dentro, no continente e ilhas, há vinhos e comeres que vale sempre a pena provar e sentir.


Publicado em 11-Ago-2020 por José Miguel Dentinho, jornalista

Este ano vou, como habitual, ao Algarve, onde descobri um vinho feito da casta Malvasia Fina plantada na costa atlântica, inesperado pela elegância e frescura, para mim, em relação aos outros brancos da região. Outra das minhas costelas é açoriana. O arquipélago está a produzir brancos de qualidade crescente, quase todos com aquela característica salina que marca os vinhos atlânticos, mas também com um toque mineral, de pederneira, que lembra a origem vulcânica das suas ilhas. O Magma Verdelho, que toma o nome da rocha que deu origem aos solos onde estão plantadas as vinhas deste branco, é um dos bons exemplos do esforço e empenho que alguns enólogos nacionais estão a fazer, na recuperação de castas e vinhos açorianos. É também com base em uvas da casta Verdelho que é produzido o espumante madeirense que selecionei para este mês, um vinho diferente, feito a partir de vinhas situadas no Norte de uma ilha que não me canso de visitar. Por fim, volto nesta viagem ao continente, à Beira Interior, a outra das regiões onde gosto sempre de voltar pelas paisagens naturais, comidas e vinhos, como as anteriores, para vos sugerir um tinto elegante, fresco no palato e longo, com uma boa relação qualidade/preço, que é bom para quase todos os pratos de carne. Venham comigo, que eu vou apresentar-lhes os convidados deste mês, vinhos dos meus lugares ideais de férias em Portugal.

Magma Verdelho 2018

Produtor: Adega dos Biscoitos
Casta: Verdelho

O vinho Magma é produzido na Adega dos Biscoitos, na ilha Terceira, Açores, sob a orientação dos enólogos Anselmo Mendes e Diogo Lopes, que também tratam da sua comercialização. O objetivo deste projeto, iniciado há cinco anos, foi a recuperação de uma cultura tradicional desta zona da ilha, para produzir vinhos de qualidade, característicos, e ao mesmo tempo apelativos para o mercado. As videiras da casta Verdelho são conduzidas próximo do solo e protegidas dos ventos marítimos por muros de pedra basáltica, de cor escura, que absorve a radiação solar e ajuda a aquecer o ambiente em que as videiras vegetam, contribuindo para o amadurecimento das suas uvas. 

Produzem um vinho no qual se nota a influência atlântica, num aroma em que se salientam também as notas florais e citrinas. Na boca é fresco, amplo, mineral, com um toque ligeiramente salgado no final. Se estiver pela ilha, experimente uma ida até à Adega de S. Mateus ou ao Beira Mar, em S. Mateus, e aprecie-o na companhia de um cavaco ou de amêijoas de S. Jorge. Convém pedir para cozerem o marisco um pouco menos tempo do que o tradicional, nas ilhas, para não vir emborrachado. Verá como este vinho se conjuga bem com ambos. Sirva-o à volta dos 12 ºC.

Vinhos de férias em Portugal | Unibanco

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Marchalégua Malvasia Fina 2016

Produtor: Agrolares 
Casta: Malvasia Fina

Produzido a partir de uvas da casta Malvasia Fina, colhidas em vinhas plantadas em solos arenosos da zona do Rogil, perto de Aljezur, este branco apresenta uma cor citrina pouco carregada, característica da casta. No seu aroma contido nota-se alguma mineralidade, fruto tropical, noz-moscada e cera. Na boca é fino, elegante, longo e persistente. Deve ser servido entre os 10 e os 12 ºC, na companhia, por exemplo, de peixes brancos, ostras da Ria Formosa abertas ao natural, atum braseado ou arroz de lingueirão.

Vinhos de férias em Portugal | Unibanco

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Espumante Terras do Avô SoCa 50

Produtor: Duarte Caldeira e Filhos – Seixal Wines 
Casta: Verdelho

Proveniente de uvas plantadas na costa norte da ilha da Madeira e da vindima de 2015, este espumante teve a sua segunda fermentação, que decorre em garrafa no método tradicional, no início de 2016. Depois estagiou, em cave, durante 48 meses, antes do degórgement, ou seja, da retirada da carica e do depósito de leveduras e da colocação da rolha final. É hoje um espumante com bolha fina, de aroma marcado pelas notas citrinas, minerais e de fermento. É muito fresco na boca, longo e persistente. Bom parceiro de marisco e de peixes com alguma gordura, deve ser apreciado entre os 10 e os 12 ºC na companhia de coisas que vale sempre a pena comer na ilha, como lapas grelhadas ou peixe-espada à madeirense. 

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Quinta dos Termos Reserva de Vinhas Velhas 2017

Produtor: Quinta dos Termos
Castas: Trincadeira Preta, Jaen, Rufete, Marufo de Vinhas Velhas

Este tinto beirão, produzido no limiar da fronteira entre os distritos da Guarda e do Fundão, mostra um aroma no qual se salientam as especiarias e a fruta vermelha e silvestre. Na boca, é fresco, elegante, com final longo e agradável, em que se sentem as notas de frutos vermelhos e especiarias. É um vinho que parece feito para os sabores da carne e que está no copo para nos fazer boa companhia e despertar conversas agradáveis. É bom parceiro de cabrito assado no forno, mas também de coelho frito ou de um simples bife de vaca grelhado, no ponto certo de cozedura e de sal.  

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Por C-Studio / Cofina Media