Qatar: conheça o país anfitrião do Mundial Qatar: conheça o país anfitrião do Mundial

Qatar: conheça o país anfitrião do Mundial

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Vamos conhecer o Qatar, e perceber o que os fãs podem ou não fazer durante o Campeonato do Mundo, e o que visitar quando não estão a ver futebol.


Publicado em 09-Nov-2022

O Mundial do Qatar começa já no dia 20, razão mais do que suficiente para perceber como é realmente o país que acolhe o torneio. Que estádios fizeram? Que língua falam? Que temperatura faz? Quais são as principais atrações turísticas e, afinal, é ou não permitido beber álcool? E, já agora, que cuidados se deve ter em público e qual o custo de vida? Vamos tentar responder a todas estas perguntas – e mais – mas, antes, um pouco de história e enquadramento, sobre este país, tão ligado ao passado, mas numa vertigem rumo ao futuro.

O Qatar é uma monarquia absolutista, com a xária – ou seja, a lei do Corão – como principal fonte de legislação. Foi um dos motivos pelos quais a escolha do país para acolher o Mundial gerou tanta polémica, porque alguns direitos das mulheres, considerados básicos no Ocidente, ou da comunidade LGBT, simplesmente não são respeitados. Tal como não existe liberdade de expressão e não são permitidas manifestações de afeto em público. Nem sequer entre marido e mulher. Neste caso, andar de mãos dadas na rua é mais do que suficiente. 

A capital do país é Doha, uma das cidades mais modernas e futuristas do planeta. Atualmente todos conhecemos o Qatar como um poço de petróleo, de gás natural e de dólares, mas não foi sempre assim e pelo menos até meados do século passado a principal atividade económica do país girava em torno das pérolas, que apanhavam e vendiam ao resto do mundo.

Qatar: conheça o país anfitrião do Mundial | Unibanco

O Qatar é governado pela Casa de Thani desde meados do século XIX, tendo o atual Emir, Tamim bin Hamad al-Thani, subido ao trono em 2013. A independência do país, no entanto, só surgiu em 1971, após anos como um protetorado britânico (durante boa parte do século XX) e, antes, do Império Otomano. Antes ainda, chegou a ser um protetorado português, quando dominámos o principado de Ormuz, no atual Irão.

A ligação à Inglaterra explica terem adotado as tomadas de três pinos, pelo que será necessário levar um adaptador para carregar o telemóvel.

A população de Qatar está estimada em cerca de dois milhões e meio de habitantes, na sua esmagadora maioria emigrantes, principalmente indianos, nepaleses e filipinos. Serão pouco mais de trezentos mil os cidadãos nacionais que, estranhamente, podem ser chamados de catarenses, catarianos ou cataris − as três grafias estão corretas. A língua oficial do país é o árabe, mas o inglês também é bastante comum, pelo que não haverá problemas de comunicação.

Para além do futebol, o que há para ver no Qatar?

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Quando o arquiteto sino-americano I.M. Pei foi convidado para desenhar o Museu de Arte Islâmica, sugeriu que fosse erguido numa ilha construída com esse propósito, de forma que não fosse obstruído por outros edifícios. E, claro, lá o construíram sobre o mar, de forma que, de certos ângulos, o edifício parece flutuar nas águas. Lá dentro, vamos encontrar um acervo impressionante da cultura árabe, recolhido por três continentes e num período que vai do século VII ao XIX.  Outro museu a não perder é o próprio Museu Nacional do Qatar, desenhado por Jean Nouvel e inspirado pelas rosas do deserto, umas curiosas formações rochosas típicas da região.

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Ir a um país árabe e não visitar um souk é inadmissível, e em Doha o melhor mercado é o souk Waqif. Reconstruído em 2006 no local do antigo mercado, continua a recriar um passado hoje em dia quase anacrónico, perante os arranha céus que o rodeiam. Lá dentro não falta o habitual labirinto de lojas e bancas a venderem de tudo – e sobretudo especiarias, tecidos ou lembranças. Não falta sequer artesãos a trabalharem a madeira, ou alfaiates.  É também um bom local para fazer uma refeição, mas já lá vamos..

O Museu do Xeque Faisal Bin Qassim Al Thani, um velho parente do atual Emir, é capaz de ser um dos mais surpreendentes espaços culturais do Qatar. O museu resulta da compulsão do senhor em colecionar de tudo, pelo que consegue ser bastante eclético.  São mais de 15 mil artefactos, entre os quais uma coleção de automóveis clássicos americanos e de barcos dos pescadores de pérolas, um legado do passado do emirado. Para isso, visitar também as ruínas de Al Zubarath, a norte do país, e do forte com o mesmo nome. Trata-se do único local classificado pela UNESCO, e remete-nos para a velha cidade comercial onde aportavam barcos dos quatro cantos do mundo, incluindo ingleses, holandeses, portugueses, chineses ou japoneses – todos para fazer comércio e comprar pérolas.

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O centro equestre de Al Shaqab também é imperdível, quanto mais não seja para ver o que acontece quando se tem uma paixão enorme por cavalos e mais dinheiro do que sítios onde gastar. Um centro com tudo do melhor para criar não apenas cavalos, mas campeões e preservar os puro-sangue árabes.

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Nos meses de novembro, dezembro e janeiro as temperaturas são mais amenas – é por isso que o Mundial acontece nesta altura –, mas no resto do ano podem ser esccaldantes pelo que, tal como os seus vizinhos na península, os cataris também adoram centros comerciais. Fechados, climatizados, e verdadeiros templos de consumo, os CC de Doha são muito mais do que uma mera coleção de lojas. O Villaggio, por exemplo, oferece um canal a imitar os de Veneza, onde até se pode andar de gôndola, e dentro do Doha Festival City podemos encontrar as Snow Dunes, um parque de desportos de neve ou o Mundo dos Angry Birds.  Mas o Al Hazm promete o máximo da opulência luxuosa, e não lhe faltam abóbodas iluminadas por milhões de LED e jardins com oliveiras centenárias que vieram buscar à Península Ibérica.

Onde comer?

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O Corniche é um passeio marítimo que acompanha a Baía de Doha, ao longo de sete quilómetros, até ao Museu de Arte Islâmica. Um passeio panorâmico que pode ficar ainda mais perfeito se apanhar um dhow e fizer um passeio turístico. Há muitos operadores a oferecerem este passeio, bem como cafés e restaurantes onde tomar uma refeição.

No Qatar não é permitido beber em público, mas é possível em certos restaurantes e, especialmente, nos restaurantes das grandes cadeias de hotéis internacionais. Desde cedo, aliás, que os brunches são especialmente procurados, não só porque servem todo o tipo de comida internacional – e especialmente deliciosa –, mas também muito champanhe.  E assim continua ao longo do dia e pelo jantar.

Durante o Mundial, no centro de Doha, a FIFA montou um Fan Festival no parque Al Bidda, onde será possível consumir bebidas alcoólicas, assim como refeições ligeiras. Também dentro dos estádios, em locais específicos, três horas antes dos jogos e uma hora depois do apito final.

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No souk Waqif vão encontrar vários pequenos restaurantes, incluindo sírios e libaneses, onde comer uma refeição tradicional, ou um prato de kekabs e pão acabados de fazer, e a preços mais em conta.

Que estádios construíram?

Para acolher o Mundial o país construiu oito novos estádios, o que, aliás, gerou nova controvérsia sobretudo pelas alegadas más condições de trabalho, que levaram mesmo à morte de 6500 trabalhadores envolvidos porque na sua construção. Naturalmente que um país como o Qatar também não precisa de tantos estádios, nem com estas dimensões e capacidades para 40, 60 mil espectadores. Assim, foram pensadas algumas soluções engenhosas findo o Mundial, como reduzir o número de lugares para metade – doando os restantes lugares para instalações desportivas em países em vias de desenvolvimento – a reconversão do espaço ou até a completa demolição. Vamos ver quatro dos estádios mais impactantes:

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Estádio Al Bayt
O estádio que vai receber o jogo de abertura tem uma estrutura única, em forma de tenda gigante, igual às típicas tendas dos beduínos do Golfo, as bayt al sha’ar – daí o nome. Tem uma capacidade para 60,000 espectadores, que será reduzida para 32 000 após o Mundial.

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Estádio Lusail
Inspirado pela decoração e padrões islâmicos, tem capacidade para 80 mil espectadores e será o placo da final. E esse será mesmo o último jogo que deverá acolher, uma vez que depois será transformado num centro comunitário, com escolas, instalações desportivas, clínicas de saúde, lojas, cafés e restaurantes.

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Estádio 974
Totalmente fora da caixa, o estádio 974 (capacidade para 40 000 espectadores) foi construído recorrendo a contentores e será totalmente desmantelado terminado o mundial – com os contentores a serem reaproveitados. Já o nome, 974, remete-nos para o código telefónico do Qatar e para o número de contentores utilizado na sua constrição.

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Estádio Al Thumama
Mais um exemplo de homenagem à cultura árabe, o Al Thumama replica as tradicionais qahfiya, os bonés de renda que por vezes podem ser utilizados á vista, mas estão muitas vezes debaixo da keffiya (o lenço que cobre a cabeça aos homens). Tem uma capacidade para 40 000 espetadores, que será reduzida para 20 000 no final do Mundial.

Por C-Studio / Cofina Media

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