Chegaram os novos carros voadores Chegaram os novos carros voadores

Chegaram os novos carros voadores

Chegaram os novos carros voadores

Há anos que a ideia existe em livros e filmes de ficção científica, mas 2020 promete ser o ano em que os carros vão finalmente levantar voo. De verdade


Publicado em 27-Jan-2020

Na última edição da CES – maior feira mundial de tecnologia, em Las Vegas –, a Hyundai apresentou o S-A1 Air, protótipo de um carro voador em parceria com a Uber. Há muito que a gigante americana do transporte tinha prometido uma frota de veículos voadores – pilotados num primeiro momento e totalmente autónomos no futuro, e agora tornou-se evidente que a Hyundai foi a empresa escolhida para entregar essa frota. Mas o S-A1 ainda não estará à venda em 2020, vai apenas iniciar testes de voo, para que no próximo ano, ou no seguinte, se possa tornar uma realidade.

Quem já voa é a alemã Volocopter, que tem uma frota de táxis montada e prestes a entrar ao serviço em Singapura. E como as autoridades de Helsínquia também já aprovaram as licenças, em breve chegará à Europa. Segue-se a Alemanha, até porque uma das parceiras é a casa-mãe da Mercedes, a Daimler (a outra são os chineses da Geely, donos da Volvo). O veículo não será ainda totalmente livre, no sentido em que não descola ou aterra de onde quiser, mas de pontos fixos, chamados de Veloportos. E também é inegável que se parece mais com um helicóptero estranho do que com um automóvel, mas assim serão os carros do futuro: a partir do momento em que descolam, os conceitos misturam-se.

O Volocopter usa 18 motores elétricos para conseguir transportar dois passageiros ao longo de 35 quilómetros a uma velocidade de 110 km/h, e terão mesmo sido os avanços no armazenamento das baterias e na qualidade dos motores elétricos a permitir finalmente o surgimento destes novos veículos — os drones de brincar foram apenas o primeiro passo rumo a um futuro muito diferente na mobilidade urbana.

Já os americanos da Opener Aero criaram um OVBI, um objeto voador bem identificado, embora não nos espantasse se muitos o confundirem com a espécie não identificada, porque parece ter saído diretamente das páginas de uma BD futurista. Mas o Blackfly é bem real e os primeiros 30 modelos estão em produção, após a qual partirão numa tour pelos Estados Unidos, onde serão postos à venda. A Opener ainda não divulgou preços exatos, mas aponta para valores a rondar os de um SUV normal – e se assim for, para um carro voador, será impressionante. O Blackfly transporta apenas um passageiro, mas é um verdadeiro PAV – Personal Aerial Vehicle — porque pode descolar e aterrar na vertical em qualquer lado. Mais ou menos. Não tente fazer isto no meio de uma rua movimentada.

O Blackfly é capaz de atingir velocidades de 125 km/h, com 65 km de autonomia (mais 20% de reserva no tanque, porque ninguém se quer despenhar). A empresa de Silicon Valley refere ainda que consome menos do que um automóvel elétrico (245 milhas por hora vs. 270).

Outra empresa na vanguarda da mobilidade aérea é a chinesa Ehang, com uma espécie de drone tripulado que pode levar duas pessoas, mas que para já necessita também de vertiports para operar. A Ehang já testou o veículo nos EUA e na China montou um passeio turístico sobre a cidade de Guangzhou (Cantão), um primeiro passo para criar uma frota de táxis.  Além disso, com a DHL assinou um protocolo de transporte de mercadorias, e desta vez recorrendo a drones não tripulados.

Estas marcas estão na vanguarda deste novo mundo, mas existem naturalmente várias outras companhias envolvidas — incluindo Airbus e Boeing, sendo que esta última entrou no ano passado para o capital da Kitty Hawk Aero, dando origem a uma nova empresa, a Wisk, e mais recentemente anunciou uma parceria com a Porsche, para criar o carro do futuro. Além disso, se a Toyota levar a sua avante, teremos o carro voador a transportar a tocha olímpica durante a cerimónia de abertura dos Jogos em Tóquio. A acontecer será sem dúvida o ponto alto para os carros voadores em 2020. Porque se este é o ano em que finalmente chegam ao mercado, também é verdade que ainda falta muito para que exista qualquer coisa de aprovada e economicamente viável no nosso país — ou seja, ainda não vale a pena adiar a compra do próximo quatro rodas.

Por C-Studio / Cofina Media