Shopstreaming, a nova forma de fazer negócios pela internet Shopstreaming, a nova forma de fazer negócios pela internet

Shopstreaming, a nova forma de fazer negócios pela internet

Shopstreaming, a nova forma de fazer negócios pela internet

Há uma nova tendência que vai alterar radicalmente a forma como compramos. Uma que mistura lojas reais com comércio virtual, tudo ao vivo. Está preparado para o futuro?


Publicado em 08-Set-2020

Quem podia imaginar que as televendas poderiam virar na maior tendência de compras no início desta nova década? Claro que o shopstreaming apenas pode ser marginalmente comparado com a “TVShop”, mas o princípio é basicamente o mesmo: um vídeo, em direto, incentivando os espetadores a comprar o que veem. Só que agora com muita tecnologia em cima e a passar numa rede social perto de si…

O shopstreaming (shop + live streaming) permite ao cliente percorrer virtualmente uma loja, assistir à chegada das novas coleções ou de uma peça especial, como uma joia. Permite interagir com outros clientes, sendo que ninguém está realmente “lá”. Permite a um chef mostrar como escolhe os produtos ou prepara determinado prato, e até a um agricultor apresentar as frutas que acabou de colher. É essencialmente uma tecnologia democrática, no sentido em que qualquer negócio pode entrar, embora naturalmente quanto maiores forem os recursos, maior será – tecnicamente – o impacto.

Shopstreaming, a nova forma de fazer negócios pela internet | Unibanco

Muitos recorrem a “personalidades” para apresentar os lives, e segundo Neil Patel, uma referência mundial de marketing, as apresentações mais comuns dividem-se entre o entretenimento (divertir o público aproxima-o da marca), e o conhecimento (utilizando especialistas na área). Estes especialistas podem vir de fora ou serem colaboradores da empresa, e o ideal, aliás, será usar ambos, pois assim aumenta a credibilidade. Mas por vezes a melhor política continua a ser a simplicidade, como refere Meredith Cranmer, da consultora Because: “O Shopstreaming não precisa necessariamente de celebridades, nem de macro influenciadores. As pessoas que melhor podem ajudar a comprar são a família e os amigos, quem nos conhece melhor”. De facto, é muito fácil reunir familiares e amigos numa sessão, resta pois saber que conselhos prefere ouvir? Os da sua bff ou de Kim Kardashian? (exemplo meramente figurativo).

Mais um produto made in China

Estas nova forma de comércio nasceu na China, há sensivelmente três anos, e para já é dominado pelos grandes gigantes do online no país, como o TikTok e o TaoBao, muito à frente dos seus concorrentes ocidentais, como Amazon ou Facebook, só para citar duas plataformas adequadas à experiência. Deste lado do mundo as sessões ainda estão a dar os primeiros passos, mas os exemplos são encorajadores. É o caso da youtiful, uma jovem marca de beleza alemã. Naturalmente impedida de promover os seus produtos ao cliente direto, passou então os eventos que tinha agendados para o Facebook, e o resultado foi extremamente positivo, chegando a receber 1000 clientes numa única sessão. Algo impensável para uma marca a dar os primeiros passos. Já no Brasil, as lojas Americanas lançaram o seu primeiro Live em junho, e depressa perceberam que “as visitas aos produtos apresentados aumentaram mais de 10 vezes”, como contou o diretor de Marketing Digital, Leonardo Rocha. Desde então a marca já promoveu vários eventos do género.

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Mas não será apenas outra moda passageira?

Na China cerca de 100 milhões de pessoas assistem a pelo menos um evento destes por mês, e a consultora Gartner avança com um negócio avaliado em mais de 400 mil milhões de dólares em 2022 (por comparação com os 90 mil milhões de 2017). Segundo o grupo Alibaba, que detém o TaoBao, já depois da reabertura da economia do país o shopstreaming continuou a crescer exponencialmente, mais de 110% relativamente ao mesmo período do ano anterior. E de acordo com o YouTube, a busca por conteúdos ao vivo cresceu 4 900%(!) durante a quarentena. São sinais claros de como os consumidores aderem a este tipo de entretenimento antes de fazerem as suas compras, pelo que esta pode muito bem vir a ser a salvação para vários negócios em risco de fechar portas nos próximos tempos. Sobretudo pequenas lojas de bairro, as mais afetadas pela pandemia, que assim se conseguem abrir o mundo. Como referiu Leonardo Rocha, das Americanas, “É uma nova forma de compras e acreditamos que, em breve, todos os players estarão neste negócio.” Como dizem os americanos, “o pássaro madrugador apanha a minhoca” (em inglês soa melhor).

Por C-Studio / Cofina Media