Vinhos para saladas Vinhos para saladas

Vinhos para saladas

Agora que estamos mais próximos do tempo quente e as probabilidades das férias estão a melhorar, com o avanço da vacinação, é hora de pensar em equilibrar a dieta com saladas, sempre na companhia de um copo de um bom vinho, como é evidente.


Publicado em 12-Mai-2021 por José Miguel Dentinho, jornalista

Estamos no Mês do Coração. Pelo menos naquele que foi decretado, e bem, pela Fundação Portuguesa de Cardiologia, para não nos esquecermos de que existe e nos é essencial. E que também devemos cuidar dele se queremos ter uma vida longa. Mas uma vida longa não é, pelo menos para mim, tão boa como isso se não tiver temperos que a enriqueçam. São os da leitura de livros, dos passeios no campo e à beira-mar, das visitas aos museus e das idas ao teatro, das viagens de descoberta e de muitas outras coisas, como é evidente. Mas são, sobretudo, pelo menos para mim, que gosto de comer e cozinhar, os da boa comida, seja ela uma simples sardinha assada na brasa, no tempo dela, na companhia de batata cozida com pele e salada montanheira algarvia, ou um prato bem mais sofisticado, com diversos sabores e texturas, criado por um dos nossos chefes de cozinha mais dotados.

De preferência, gosto de apreciar a comida com os vinhos mais apropriados para os complementar, como é evidente. Sempre na companhia da família e de amigos e tudo com moderação, porque os excessos, se forem repetidos, para além de serem prejudiciais à saúde, diminuem, com o tempo, o prazer que retiramos das coisas boas que fazemos.

As saladas, sejam elas as mais simples, apenas com verduras, como a de tomate e cebola, às mais complexas, com legumes assados, cereais, frutos secos, fruta fresca, queijo, mariscos ou carne de frango, por exemplo, devem ser sempre bem-vindas nas refeições de todos os dias, seja como acompanhamento, petisco ou refeição. Pelo menos para quem quer tratar bem do corpo, ou pelo menos atenuar excessos na alimentação.

Não é fácil a parceria de saladas com vinhos, sobretudo se tiverem vinagre em excesso, o que retira a sensação de frescura aos vinhos escolhidos para companhia. Mas se lhes deitarmos apenas uns pingos de um bom azeite virgem extra, não só para lhes acrescentar untuosidade, mas também para lhes dar um pouco dos aromas a erva fresca, tomate seco, e outros que diferenciam as melhores referências das prateleiras, mais uma pulverização apenas de um bom vinagre natural, como os produzidos por Rui Moura Alves, em Sangalhos, as parcerias tornam-se mais fáceis. De qualquer forma, o melhor mesmo é dar-lhes a companhia de um vinho com boa acidez, como todos os que selecionei abaixo. Nas saladas que incluam frango, pode-se pensar, por exemplo, em alguns vinhos brancos com um pouco mais de estrutura e algum tempo de vida em garrafa, ou rosés que não sejam demasiado florais. Se a salada incluir frutos vermelhos, como as cerejas, já que é tempo delas, ou morangos, a melhor opção pode ser um vinho tranquilo ou um espumante rosé bruto.

O mais importante, na escolha dos vinhos para as saladas, é não pensar na base “verde” do prato, mas sim nos seus componentes, que fazem a diferença. Desde que se siga essa regra, será difícil de errar. Mas é melhor ir provando sempre a comida e o vinho na boca, para que o cérebro se vá lembrando das experiências boas e menos boas. Isso contribuirá para diminuir a probabilidade de erro com o tempo. Ainda recentemente passei de novo por essa experiência, depois de ter escolhido o vinho verde de que falo abaixo, num almoço de mariscos num passeio a Peniche num dos últimos fins de semana. A escolha parecia óbvia. O vinho deu-me prazer de cada vez que o levei à boca, e gostei, sobretudo, da forma como complementou a salada de ovas de bacalhau e a de polvo. Mas não tanto da sua parceria com as ostras da Ria Formosa, cuja salinidade, e sabor a mar, fica melhor, entre outros, com os Alvarinhos de Monção e Melgaço.

Casa de Vilacetinho Grande Escolha

Produtor: Sociedade Agrícola — Casa de Vilacetinho
Casta: Avesso, Arinto, Azal e Loureiro
Ano de colheita: 2020

Vinho verde de aroma intenso e agradável, fino, em que se salientam notas florais e frutadas a lembrar pêssego e lima e algum tropical. Na boca, é ligeiramente encorpado, fresco longo e persistente, com notas frutadas no final. Um vinho harmonioso, que deve ser servido entre os 10 e os 12 ºC, na companhia de pratos de peixe e mariscos. Harmonizou, de forma muito equilibrada, com saladas de polvo e de ovas de bacalhau, no dia em que o provei.

Vinhos para saladas | Unibanco

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Bacalhoa Greco di Tufo

Produtor: Bacalhôa Vinhos SA
Casta: Greco di Tufo
Ano de colheita: 2019

A casta é, como o próprio nome sugere, originária da Grécia e foi trazida para a Bacalhôa da região italiana de Campânia, onde são produzidos vinhos com denominação de origem, feitos com esta variedade. É um branco de aroma elegante, fino, com notas de pólvora seca, amêndoa torrada e citrinos a lembrar limão fresco. É fresco e longo, com alguma mineralidade no final, e evolui para uma ligeira untuosidade, e grande equilíbrio na boca, se bebido entre os 12 e os 14 ºC, o que faz dele grande parceiro de final da refeição, na companhia de queijos secos, por exemplo. É uma boa companhia para entradas e saladas frescas e de legumes grelhados com carnes brancas, frutos secos e alguns queijos.

Vinhos para saladas | Unibanco

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Cabriz Sauvignon Blanc

Produtor: Global Wines
Casta: Sauvignon Blanc
Ano de colheita: 2019

Vinho de aroma intenso, frutado, com notas de espargos e um toque herbáceo, é volumoso na boca, onde é fresco, longo e persistente, com algum picante e mineralidade. Consumir a 8-10 ºC no copo, na companhia de entradas, mariscos e saladas de alface, agrião ou rúcula com mariscos e peixes.

Vinhos para saladas | Unibanco

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Pouca Roupa Branco 2020

Produtor: João Portugal Ramos
Casta: Viosinho, Sauvignon Blanc e Verdelho
Ano de colheita: 2020

Branco alentejano de aroma intenso, jovem, com notas de flora de laranjeira, citrinas, fruta branca a lembrar pera, fruta branca de caroço a lembrar pêssego, mineral com um toque de rebuçado. É fresco na boca, medianamente longo com alguma persistência, com notas de fruta de caroço no final. Um vinho que pode ser bebido como aperitivo, com mariscos e saladas de peixe ou frango, com fruta e alface, por exemplo. Na minha casa, fez também grande companhia a camarão médio frito com alho e malaguetas. Servir a 10 ºC no copo.

Vinhos para saladas | Unibanco

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Por C-Studio / Cofina Media