Vinhos distintos para os jantares de inverno Vinhos distintos para os jantares de inverno

Vinhos distintos para os jantares de inverno

Vinhos distintos para os jantares de inverno

Têm origem no Alentejo, Lisboa e Douro e são apenas alguns exemplos de tintos de qualidade, com aromas e sabores diferentes, que se produzem em quase todo o território de Portugal continental. Destinam-se essencialmente aos sabores da carne, mas não só.


Publicado em 08-Jan-2021 por José Miguel Dentinho, jornalista

Os jantares na minha casa, sejam de inverno ou de qualquer outra estação do ano, começam geralmente pelo ritual da retirada da arca do elemento principal do prato que iremos comer à noite. Isso não foi exceção no dia em que escrevi esta crónica, em que olhei para o conteúdo da prateleira das carnes e optei pelos hambúrgueres feitos com carne de picanha pelo talho que frequento habitualmente no meu bairro. 

Descongelados lentamente, para retomarem a temperatura ambiente, são grelhados primeiro na frigideira, para ficarem ligeiramente tostados por fora, mas húmidos e um pouco em sangue por dentro, para repousarem um pouco antes de os temperar com sal rosa e pimenta de moinho, enquanto preparo o molho, operação que gosto de fazer depois, aproveitando sempre os restos tostados para lhes acrescentar sabor. É a única coisa em comum que tem, porque gosto de variar e aquilo que sai só é racional em termos de temperos, porque é essencial que saiba bem e faça boa companhia à carne e ao vinho tinto parceiro. Se fosse à Marrare, escolheria, entre os que selecionei para este mês, o Quinta da Viçosa Single Vineyard ou o Terra a Terra, vinhos com estrutura para aguentarem não só a doçura da carne, como os sabores e o toque picante da pimenta-preta que costumo usar. 

Mas quem trabalha em casa, muitas vezes a partir das 8h da manhã, como eu, por vezes esquece-se de coisas triviais como a escolha do elemento principal do jantar, que fica a tiritar no frio até à noitinha e, por isso, sem condições físicas para ser cozinhado. Nesses dias há sempre tomate, cogumelos, bacon e chouriço para fazer uma massa aliciante, o talho a dois passos para mandar picar carne para fazer um esparguete à bolonhesa. São bons parceiros dos vinhos da casta Sangiovese e da casta Merlot que selecionei para este mês. Mas há muito mais para companhia destes vinhos, como indico abaixo. Bom apetite e um ano cheio de aromas e sabores inspirados.

Adega Mayor Sangiovese

Produtor: Adega Mayor
Casta: Sangiovese
Ano de colheita: 2018

Vinho alentejano de aroma intenso, fresco, no qual se salientam as notas de fruta vermelha a lembrar ameixa e cereja. Na boca, onde se distinguem aromas de especiarias e alguma geleia de frutos vermelhos no final, apresenta tanino fino, é fresco, longo e persistente. Servido a 16-18 ºC no copo, fez grande companhia a chocos fritos com tinta à moda algarvia, acompanhados de batata frita, a que se seguiu um queijo de cabra de pasta dura para terminar o jantar. Os vinhos desta casta de origem italiana, que foi acrescentada ao rol de castas da Adega Mayor por vontade inspirada de João Manuel Nabeiro, a avaliar por este vinho, ficam também bem com esparguete à bolonhesa, um prato relativamente simples de fazer em casa, em que não poupo no queijo parmesão e alguns risotos de sabor mais intenso.

Vinhos distintos para os jantares de inverno | Unibanco

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Quinta da Viçosa Single Vineyard

Produtor: João Portugal Ramos
Casta: Aragonez e Syrah
Ano de colheita: 2017

Vinho alentejano de aroma contido, em que se salientam as notas de frutos silvestres, ameixa preta e passa de uva, cacau e caixa de charutos. Na boca é volumoso, fresco, elegante e longo, com notas frutadas, no final, a lembrar sobretudo ameixa preta. Um vinho harmonioso e equilibrado, produzido a partir de uma única parcela de vinha por João Portugal Ramos, selecionada pelo enólogo pelas suas características distintas. Para mim, está destinado a assados de porco no forno, como um entrecosto em lume brando, com pouco tempero, na companhia de puré de maçã reineta e de arroz de ervilhas, por exemplo, mas também de arroz de pato e pratos de carne de vaca.

Vinhos distintos para os jantares de inverno | Unibanco

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Terra a Terra 2016

Produtor: Quanta Terra
Casta: Touriga Nacional, Touriga Franca e Tinta Roriz
Ano de colheita: 2016

Vinho de cor rubi, produzido em parceria pelos enólogos Jorge Alves e Celso Pereira na região do Douro, mostra um aroma no qual se salientam as notas de frutos pretos e silvestres, bosque e alguma cânfora da madeira. Na boca é fresco, longo e ligeiramente salgado no final, em que se salientam notas de amoras maduras. Servir a 18 ºC no copo, na companhia de pratos de carne vermelha, como borrego assado no forno, bife ou pica-pau de vitela ou vaca, caça de pelo, pratos de massa e bacalhau.

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Tictac – Sabedoria do Tempo

Produtor: Monte Bluna
Casta: Merlot
Ano de colheita: 2015

No seu aroma elegante salientam-se as notas de frutos vermelhos, alguma geleia de morango, pimento vermelho e especiarias. Na boca tem estrutura, com tanino fino e um final longo e persistente, com um toque amargo que lhe dá um caráter mais gastronómico, e notas de frutos secos. Servir entre os 16 e os 18 ºC no copo. Este vinho tinto, produzido na região de Lisboa, de uma vinha localizada perto da Lourinhã, descoberta pelo enólogo Nuno Martins Silva, é boa companhia para carnes magras, como frango assado no forno, massas que integrem tomate, principalmente os que levam bacon ou cogumelos, ou charcutaria, como terrinas ou patês e também enchidos.

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Por C-Studio / Cofina Media