Vinhos distintos para a mesa da primavera Vinhos distintos para a mesa da primavera

Vinhos distintos para a mesa da primavera

Vinhos distintos para a mesa da primavera

Num mês em que se comemoram os Dias Internacionais da Felicidade, da Poesia, da Criatividade Artística, da Árvore e da Água e se inicia a primavera, quatro vinhos distintos para saborear em casa na nova estação.


Publicado em 10-Mar-2021 por José Miguel Dentinho, jornalista

Março é o mês em que celebramos a chegada da primavera e, com ela, a do bom tempo. As flores começam a despontar em todos os lados, inclusive no interior das casas, e o verde cobre os campos anunciando um novo ciclo de vida e que vão chegar tempos melhores.

A perspetiva de férias de verão já não parece ser uma miragem e a esperança renasce. É o que todos precisamos, depois de um ano particularmente difícil, em que foi preciso sobreviver o melhor que se pôde. Cá por casa isso contribuiu para a família aumentar uns quilinhos, sobretudo eu, apesar das caminhadas voluntariosas que me esforço por fazer. Como tinha de entreter o meu espírito das maleitas do confinamento, dediquei-me um pouco mais à cozinha, fazendo e saboreando uma panóplia alargada de receitas e experimentando vinhos na sua companhia.

Felizmente, a primavera vem aí, a real, e a que está anunciada com a vacinação. Um pouco mais de liberdade física irá ajudar-nos a fazer mais coisas que nos compensam do dia a dia de trabalho, das rotinas, e, agora, do excesso de tempo confinamento, algo a que não me quero habituar, sobretudo depois de 20 anos em teletrabalho. 

Se há coisa que gosto de fazer no tempo quente, para além dos passeios na cidade, na praia ou no campo, das idas ao cinema, ao teatro ou aos museus ou de assistir a competições de judo, o meu desporto favorito, é sentar-me numa esplanada, na companhia da família e dos amigos, para conversar e comer um peixinho grelhado, choco frito à moda de Setúbal, salada de ovas ou de polvo, conquilhas à Bulhão Pato, franguinho grelhado, posta mirandesa e muito mais. Mas isso ainda está longe e o desconfinamento também, o que não quer dizer que não possamos continuar a ser criativos naquilo que fazemos na cozinha e seletivos nas escolhas dos vinhos que trazemos para as nossas mesas. Por isso, selecionei, para este mês, um vinho branco elegante produzido no Minho, bom parceiro de peixes brancos cozidos e grelhados, mariscos cozidos e algumas saladas. Os dois tintos, um deles da Península de Setúbal e outro do Alentejo, são vinhos com personalidade, daqueles que gosto de continuar a beber após o repasto, só para usufruir dos seus aromas e sabores, enquanto damos os últimos toques na conversa do jantar. 

Tenho sempre aberto em casa, depois de tirar notas de prova, um vinho do Porto, Madeira ou moscatel de Setúbal com alguma idade, porque gosto do prazer que me dá ir bebendo enquanto vejo televisão, leio um livro ou assisto ao pôr do Sol nos dias de primavera e verão. Este que sugiro em baixo foi uma surpresa bem agradável, pelos seus aromas, pela sua estrutura e frescura na boca, pelo seu final longo e agradável.

Monólogo Sauvignon Blanc P704

Produtor: A&D Wines
Casta: Sauvignon Blanc
Ano de colheita: 2019

Os Monólogo são vinhos monovarietais, produzidos a partir de parcelas selecionadas na região do Minho. Este branco mostra um aroma intenso e fresco, com notas de espargos, citrinos a lembrar toranja e algum anis. Na boca é fresco, com final longo, em que se salientam os aromas de espargos e algum fermento. Um vinho agradável, boa companhia para peixes e mariscos cozidos e grelhados, saladas e quiches de frango e de camarão, que foi, cá em casa, grande parceiro de vol-au-vent com recheio de camarão, na companhia de salada russa. Servir a cerca de 12 ºC no copo.

Vinhos distintos para a mesa da primavera | Unibanco

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Pegos Claros Reserva 2016 – Vinha 70 Anos

Produtor: Herdade de Pegos Claros
Casta: Castelão
Ano de colheita: 2016

A vinha está assente em solos arenosos, na zona de aluvião da Península de Setúbal, onde a Castelão expressa melhor o seu potencial. É um tinto profundo, complexo e elegante, com aroma no qual se salientam notas de ameixa preta, chocolate preto e frutos secos tostados. Na boca tem estrutura, com taninos finos, mas também a elegância, e um final longo e persistente, com um toque amargo que equilibra muito bem com a doçura da carne. Para apreciar sobretudo com assados e guisados de carne vermelha, empadão ou esparguete à bolonhesa, por exemplo. Ficou muito bem com as bochechas de porco que fiz, fritas em azeite e alho e depois estufadas longamente com mais um toque de vinho branco e um pouco de massa de pimentão, na companhia de puré de batata. Sirva-o a 18 ºC no copo.

Vinhos distintos para a mesa da primavera | Unibanco

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Ravasqueira Reserva da Família 2018

Produtor: Monte da Ravasqueira
Casta: Touriga Nacional e Syrah
Ano de colheita: 2018

Vinho tinto de aromas intensos, em que se salientam as notas de frutos silvestres e pimenta, com algum balsâmico e um toque floral de violetas. Na boca é fresco e elegante, com um final muito longo e persistente, no qual se salientam notas de frutos silvestres e de caixa de charutos. É bom parceiro de carnes vermelhas e de caça de pelo e pena. Experimente-o, por exemplo, com perdizes confitadas em azeite a baixa temperatura, na companhia de batata corada e grelos salteados, seguidas de umas fatias de queijo de Serpa ou de Évora, com pão alentejano ou algarvio. Sirva-o a cerca de 16 ºC no copo.

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Porto Kranemann 10 Anos

Produtor: Kranemann Wine States
Casta: Mistura de castas tradicionais do Douro
Envelhecimento: Média de 10 anos

Vinho do Porto de aroma intenso, complexo, com notas de mel, turfa, frutos secos, caixa de tabaco e alguma geleia de ginja. Na boca é doce, sedoso, muito elegante. Para saborear após a refeição, servido a cerca de 16 ºC em copo de vinho do Porto, apenas porque apetece. Mas também pode apreciá-lo à sobremesa, na companhia de uma fatia de bolo de chocolate e nozes, tarte de amêndoa ou com uns pedaços de queijo seco.

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Por C-Studio / Cofina Media