Artistas e artesãos juntos, no Alentejo, para fazer reviver a olaria tradicional Artistas e artesãos juntos, no Alentejo, para fazer reviver a olaria tradicional

Artistas e artesãos juntos, no Alentejo, para fazer reviver a olaria tradicional

Uma Residência Artística, em Viana do Alentejo, procura juntar duas realidades bem distintas: a olaria tradicional e o design gráfico moderno.


Publicado em 08-Jul-2021

Quatro artistas, ilustradores e designers mudaram-se por estes dias para Viana do Alentejo, com o objetivo de aproximar duas realidades tantas vezes antagónicas: por um lado o design gráfico e de ilustração contemporâneos, por outro a olaria clássica, tradicional da cultura alentejana, que até ao dia 9 de julho é representada pela Olaria Mira Agostinho, do casal Feliciano e Rosa Agostinho. Artistas e artesãos vão estar a trabalhar sob a direção criativa da Vicara, empresa nacional fundada precisamente para fazer esta fusão, criando peças de design manufaturadas segundo as melhores técnicas e saber fazer artesanal.

Artistas e artesãos juntos, no Alentejo, para fazer reviver a olaria tradicional | Unibanco

Os artistas, Mariana Malhão, Bruno Reis Santos, José Torres e Mariana, “a miserável”, vão então procurar novas formas de adaptar a estética do seu trabalho a objetos tradicionais, para casa, como os alguidares, os potes, pratos, e outras loiças utilitárias, utilizando sempre técnicas tradicionais e locais da faiança. Posteriormente, as peças serão editadas em pequenas séries limitadas, ou em produções um pouco maiores, desde que respeitando as capacidades das olarias locais – porque será sempre imprescindível garantir um retorno pelo trabalho realizado. Muitas, aliás, serão vendidas sob a chancela da Tasco, submarca da Vicara com loiça baseada nas tradicionais peças de barro vermelho.

Artistas e artesãos juntos, no Alentejo, para fazer reviver a olaria tradicional | Unibanco

Em Portugal corremos o risco de perder muitas técnicas e toda uma tradição oleira, dada a crescente dificuldade em cativar as novas gerações para a profissão dos antepassados. Muitas vezes por culpa do desaparecimento da clientela tradicional, face a um interior desertificado, e à dificuldade em conseguir escoar as peças para mercados alternativos, sobretudo nos grandes centros urbanos, onde reside a maioria da população.  Torna-se por isso fundamental alterar este status quo, encontrando novas formas de chegar às gerações mais novas, pois só assim conseguiremos preservar todo este saber-fazer. É por isso que iniciativas como esta residência artística são tão importantes. Paralelamente, e para atrair ainda mais público interessado, serão também realizados workshops de olaria, direcionados inclusivamente aos mais novos. No último dia haverá inclusivamente lugar para um evento, em Vila Nova da Baronia,  Alvito, destinado à partilha de memórias, de estórias e de formação, procurando envolver toda a comunidade e sensibilizando-a para o valor cultural da olaria.

Artistas e artesãos juntos, no Alentejo, para fazer reviver a olaria tradicional | Unibanco

Apesar da Residência Artística terminar dia 9 de julho, a ideia é que os seus efeitos perdurem no tempo, e que esta seja apenas a primeira fase de um projeto mais abrangente, que vai continuar a promover este cruzamento de culturas e de gerações, “urbanizando” os motivos gráficos da olaria alentejana. Mais informações aqui.

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Workshops de olaria tradicional no Alentejo

Para quem quiser aprender mais sobre o tema existem outros workshops que podem frequentar, inclusivamente a própria Spira e a Passa ao Futuro. organizam workshops regulares de cerâmica pintada à mão.

Outra opção são os workshops da Olaria Bulhão, em São Pedro do Corval (o maior centro de olaria do país), que podem até ser frequentados por apenas uma pessoa. Mais Informações em Heranças do Alentejo. O mestre oleiro António Bulhão e a sua filha Manuela também dão cursos particulares no hotel São Lourenço do Barrocal, ensinando os hóspedes a trabalhar a argila na roda, de forma inteiramente artesanal.

Já na Olaria Pirraça, no Redondo, além de visitas, é possível participar na arte de trabalhar o barro, pintura e assistir a todo o processo de vidragem e cozedura em workshops para grupos de até 5 pessoas, aos sábados e domingos. Tudo para manter viva esta nobre arte da olaria tradicional,

Por C-Studio / Cofina Media